quinta-feira, 29 de setembro de 2011


Recuar até lá...onde as memórias são doces,"ainda".


Não tenho muitas lembranças da casa dos meus avós,pois não vivíamos perto  como filha mais nova ficava por casa,com a irmã mais velha,quem acompanhava sempre a mãe seria o filho mais velho,por ser homem naqueles tempos em que um simples bom dia tinha que ser dito com cuidados não fosse ser interpretado como uma "clara" traição conjugal,(não estou a exagerar),contudo todos os braços faziam falta para manter o sustento de uma familia numerosa  não se podia desperdiçar fosse quem fosse,nesta época do ano reuniam-se grupos de pessoas que se deslocavam  aos locais de sementeira de tomate que sabemos ser no Ribatejo, a minha familia não era excepção,recordo um ano em  que se consumou essa viagem ,vieram todos até Canha do Ribatejo,óbvio que estavam alojados num casão junto ao local que seria da colheita,também os acompanhou o meu irmão mais novo  por ser menino sobreviveria perfeitamente,  além do mais a mãe não queria separar-se do seu menino mais pequenino,lá fiquei em casa dos meus avós maternos,por ali viviam também as tias e uma prima de quem acabei por fazer de(AIA)acompanhá-la nos encontros com o namorado,(sempre a mesma sorte para mim),mas foi bom ainda hoje o meu primo tem uma preferência por esta priminha que enfim nunca via aquele  beijo roubado...
Era interessante,estar aí havia visitas às tias, tive oportunidade de sentir o aroma da comidinha dos ganhões,(uma tia era cozinheira,no Monte Branco) e recordo bem a grande cozinha com as panelas enormes chegadas ao lume,noutra havia sempre marmelada para comer com o pão, como a minha prima(filha dela)é da minha idade e, gostava de marmelada com pão e não o contrário também me calhava a mim,a marmelada às "carradas"cito a prima,ainda havia uma tia que mais tarde viria a ser minha camarada de trabalho,já na minha idade mais ou menos adulta(14 anos)eu ainda sou do tempo em que primeiro trabalhava-se e só depois se crescia!?lá na casa da avó conheci o mais desejado objecto de decoração de colocar na parede,(O Relógio das Avé Marias).por altura das desfolhadas que nesta época também se apanhava o milho ele  era colocado na Eira onde as pessoas se juntavam pela noite à luz do" pitromax" a desfolhar,e a menina também ia"claro"porque ninguém ficava em casa sózinho,a luz que era projectada pela fraca iluminação não alcançava todos os recantos ,algumas pessoas ficavam em meia penumbra,onde eu estava sempre junto da minha prima que era a minha cuidadora,recordo como se fosse hoje...uma sra.colocou-me um pouco de barbas de milho na cabeça sem que me apercebesse  e de repente disse pegando nas ditas(ai coitadinha da menina está a cair-lhe o cabelo todo);coitadinha de mim,pensei que era verdade,corri ao pé da minha avó  eles riam todos pela minha aflição,até que lá me tranquilizaram,percebi nesse dia como era divertido conviver em grupo e haver sempre alguém mais amigo da brincadeira,para agitar as hostes,nesse dia foi a menina,a vítima ahahahha.Era assim que se passavam as coisas,no milénio passado quando eu nasci!?
(Claro que não posso esquecer a participação do homem da concertina,e as danças,típicas  daquela região(Alto Alentejo)que para quem não saiba ,por aí bailavam-se (AS SAIAS)normalmente as que se conheciam melhor eram as cantadas pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo do Cano).
(EU)
10-10-2010
09.00H


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