domingo, 10 de junho de 2012

As minhas catedrais


Em dias ainda não vividos
Chamo por ti
Nestes dias em que a vida se esconde por aqui
Dias em que não te vi
Chegam de olhos abertos
Como se os olhos temessem
Não voltar a ver o dia
Como se voltar a ver o dia
Fosse o desejo mais urgente.
Nos meus dias em que ainda estarei sem ti
Por aqui
Sem ti em mim
Nesses dias viajo apenas
Sem sair do meu chão
Sem que o meu chão me deixe ir
Sentindo-me  presa
Ao meu chão de ti.
Os meus dias são cheios de catedrais
Edificadas no meu corpo pelas tuas mãos doces
Que ainda não conhecem as suas paredes
Dos meus olhos saem sons disformes
Sons que só os poetas podem sentir
Sons que só os poetas descrevem
Sons que elevo para ti que me lês
Da minha boca saem olhares
Na tua direcção
E chegam(te) ao coração
Só por isso
Apenas por isso
Está a poesia
Sempre presente
No meu dia
Por aqui
Sem ti.
(EU)
10-06-2012
09.00h

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