Caem-me gostas de chuva no rosto
começo por conta-las mas,
de repente,
torna-se impossível prosseguir
a chuva caí e,...
fustiga as minhas faces com dureza
sem poupar traços,
e nos passos apressados
tropeço nos pequenos lagos formados na minha frente,
penso em chegar mas,
a pluviosidade impede-me de caminhar
esperas-me,
é a primeira vez que te vou ver,
e ...sinto muito,
vou chegar assim ...
assim,molhada até à alma,
e de alma molhada,
assim mesmo,
não disfarço a ansiedade
preciso de saber-te em rigor e com verdade,
encontrar-te faz parte de um sonho de longa data
sabes que te conheço(conhecemo-nos há anos)
e contudo nunca te vi,não te sei os traços,
entretanto,
a chuva, desfez-me o simples toque de baton que me coloria os lábios,
descolorida e molhada da chuva,
assim te encontrei,
não me negaste o abraço há tanto tempo prometido,
o nosso encontro foi apenas o reconhecimento do que era óbvio
do que era mais que óbvio,
será que o amor é óbvio,
será?
Adelina Charneca*
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
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