quinta-feira, 22 de janeiro de 2015


Poema inacabado
...já tinha poesia na alma
debaixo daquela árvore onde sentada respirava calma,
já sentia o mundo na mão 
e carradas de sonhos no coração
tinha na pele o aroma das estevas em flor,
no sorriso passeava a ternura dos olivais ,
no cante sentia a alma dos demais,
o tom do cabelo era dourado da mesma cor dos trigais
era pequenina como um grão de areia
fez-se mulher de amar com mil almas cheias
vazio lhe deram sentido nunca a consentindo...
encontrava-se frequentemente com a saudade nos poemas que deixa por acabar!
Adelina Charneca

Naquela época ,
corria o ano em que foi descoberto o amor
o seu sorriso cheirava à primaveras e a maciços de flores
as ilusões cresciam no seu dia a dia
não havia nada de nada que lhe tirasse a alegria
cantava,
brincava,
sonhava,
enquanto crescia,
era a boneca na montra dos olhares mais doces,
a rosa em botão,
sem espinhos no caule,
ia pela mão,
com a mãe ao baile,
não dá para esquecer o que foi amor,
sentindo saudades enleada em dor.
Hoje é uma mulher
na recta final,
ama sem limites,
vai sabendo o que quer,
feliz!
Talvez!
Adelina Charneca
POR AMARTE Por amarte tanto A muerto la vida misma por quererte demasiado he ROTO los sueños MÁS entrañables por soñarte despierta he perdido tantas horas sin dormir AMÁNDOTE, no MIRABA ni las orugas MÁS bellas ni las flores en primavera por amarte no ESCUCHABA la lluvia, ni BAILABA en la calle por amarte DEJÉ de amarme por amarte no ESCUCHABA los arrullos de las palomas ni sospechava cuando LLEGABAN las GOLONDRINAS por amarte hizo de mi vida un otoño sin hojas en los ÁRBOLES por amarte amor MÍO por amarte me olvidé del amor!
Adelina Charneca

...éramos como estrelas caídas no chão,
tínhamos as auroras dos girassóis em botão
éramos somente um amor encantado,
morríamos por dentro lentamente(era o nosso fado)
bailavam os nossos olhos um bailado sem fim
falavam em silêncio,entre lençóis de cetim,
era o amor reinventado ao som das rodas no alcatrão
levava-mos estrelas nos cabelos
escrevia-mos aqueles poemas de amor 
ao compasso de beijos,de cuidados e desvelos
silêncio,vem aí a morte anunciada
morreu sem um abraço,
como esse amor,
abandonada!
Adelina Charneca

Um dia, 
farei a viagem final,
com bilhete só de ida, 
num comboio onde nunca embarquei
e que um dia vai passar, eu sei
mas...
todos os dias ao anoitecer
virei desde uma estrela beijar-te nos lábios,
ficarei de guarda na tua almofada 
ao lado dos teus sonhos
olhando o teu rosto adormecido 
banhado pela luz das luas
que não podemos viver lado a lado, 
e todos os dias, sem que o saibas
virei vestida de nuvem de algodão
baixarei no teu ombro ,
e suavemente
te ajudarei a viver, 
invisível, 
até que seremos por fim
dois corações lado a lado
que se amaram de verdade
e os dois ,em forma de nuvem
voaremos por fim juntos, 
uma eterna liberdade! 
Adelina Charneca

Semeei poesia e colhi palavras ao vento,
amei no tempo o brilho do teu olhar,
fiz da minha voz o poema de um fado por cantar,
ninguém me pode parar, 
se na alma as palavras insistem em me atormentar,
fiz do silêncio o fogo que ardia,
uma saudade que eu tinha e não sabia, 
uns olhos que me buscavam
nas montanhas do esquecimento,
e repetia sem cessar,
o adeus ,
sem um lamento. 
Adelina Charneca

Não era só o estarem nus um em frente ao outro,
era sobretudo o estarem nus de alma ,
era a nudez do beijo
a pornografia do abraço,
os gemidos em simultâneo,
era amar sem cansaço,
a nudez das palavras ditas ,
aquele estar sem roupa no olhar,
de corpos quase fundidos,
a forma de caminhar,
era chegar e tropeçar nos abraços de saudade,
viajar no tempo,sem tempo para amar,
madrugar sem ter anoitecido,
dançar na chuva,rezar à Virgem,
tomar o café com pão de amor aquecido,
era mais do que amar,
era viver,
muito mais do que estar,
era querer,
tanto mais que sonhar,
era ter,
não,não era só um acto de desnudez,
era tudo por amor,
um amor que mais ninguém fez!
Adelina Charneca

Poeminha

Leva-me a voar no vento sem rasgar a alma A crescer d'alento nesta tarde calma Não soltes um ai Que se não apague Não pares e vai ...