terça-feira, 20 de agosto de 2013


...com os pés pregados no chão
entendi, o desconhecido
que em sol sustenido
baralhava meu coração
com os braços amarrados
tocamos melodias
de versos inacabados
com os olhos envergonhados
olha-mo-nos em vontades
de corações descompassados
com os lábios trémulos
de desejo abrasados
sentimos e demos
os beijos que foram desejados
interrompido
este amor não vivido
na calada dos desejos
em lugar desconhecido
de vontades foram os beijos
num impulsivo desejo sentido
mulher coragem
mulher vontade
mulher amante
mulher com vantagem
de o ser no instante
apenas mulher
que deseja e faz
por acontecer!
Adelina Charneca*

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Chamar-me-ia saudade...


...já pensei mudar meu nome,
acrescentar ou tirar,
tanto faz...
por um nome mais explicito que combine na verdade
com este meu sentir
sem paz...
este meu sentir saudade.
Já pensei mudar meu nome
por...
um nome mais colorido
um nome mais engraçado
um nome bem florido
que fique bem com este fado
este fado que é saudade
que busca o caminho em vão
e só encontra a entrada
para este meu coração
coração que tem saudade...
e...
já pensei mudar meu nome
chamar-me-ia;
SAUDADE...
Adelina Charneca*


...o que eu daria agora para voltar lá...
lá onde usávamos soquetes as meninas e calções os rapazes...
e os joelhos rasgados da infância nunca doiam...
...o que eu daria...
para voltar a correr sobre o muro da igreja sem medo de cair...
...o que eu faria...
quantos kilometros andaria para voltar a ouvir a Prf.Maria Helena...
(mas não levar com a régua,nem com o ponteiro)
brincar no recreio...
à apanhada...
à macaca...
sem macacadas,
à mamã dá licença...
jogar às cinco pedrinhas...
voltar ao b a ba e a soletrar a tabuada...
7x1=7
7x2=14.....
ahhhhhhhhhhhhhh...
o que eu daria!
Adelina Charneca*

Não sei...




Não sei se acordei no meu corpo
sei que abri os olhos
mas...
suponho que este corpo que está aqui
não é o meu...
hoje acordei no teu corpo...
acordei em ti
senti o teu cheiro
a tua presença
senti que estavas aqui
que estavas em mim
e que eu estava em ti
senti que este corpo com que dormi
tem algo dentro
algo muito forte
que apenas pode
ser de ti...
tudo está fora
mas eu sinto cá dentro
possuir
são metáforas para os outros
em mim tu vives
em teu corpo celeste adormeço
com teu corpo
eu me desperto
e sinto-o meu
e sinto-te meu
quando acordo...
que sensação...
de estares aqui..
dentro!
Adelina Charneca*

A poesia deixou de me ter sua refém
parti as algemas,
quebrei as amarras
e agora...
agora sou livre
e só escrevo o que quero
e não mais o que me dita o desconhecido
...a poesia deixou de ser minha carcereira
deu-me as chaves da cela
e eu parti em liberdade
e agora sempre que me encontro com ela
é só por sermos ambas ...
''VERDADE''!
Adelina Charneca*

domingo, 18 de agosto de 2013

...teu nome


...escrevi teu nome no sol...
e se queimou...
escrevi-o na lua...
e se afundou no universo...
escrevi-o na água e se coloriu...
escrevi-o no ar e voou...
entretanto...
escrevi-o no meu coração...
e se colou...
escrevi-o na minha carne ...
e como-o aos pedacinhos...
a todas as horas da minha vida...
escrevo-o no futuro...
e vejo-o sempre junto a mim...
escrevi o teu nome e...
apaixonei-me por ti...
escrevi o teu nome...
e quero-te...
desde o infinito onde escrevi o teu nome...
quando o teu nome morrer...
quero que o meu vá com ele..
até ao eterno nome...
Amor!
Adelina Charneca*

Poeminha

Leva-me a voar no vento sem rasgar a alma A crescer d'alento nesta tarde calma Não soltes um ai Que se não apague Não pares e vai ...