sábado, 28 de fevereiro de 2015



A vida tropeçava nela a todo o instante,
fazia-a sentir insolente,
batia-lhe com força,
como se fosse vento no rosto,paralisado e sem movimentos,
sacudia-lhe os pensamentos mais escondidos,
e dava-lhe a mão,dizendo,
vem que eu levo-te,
vem,levo-te até onde vai o teu desejo,
até onde te quer levar a tua vontade,
vem,que te farei saber a vida com mais verdade,
a vida tomava-lhe a mão,e fazia-a sentir que há amigos de verdade,
que há amores que são realidade,
a vida despertava-a dos sonhos que sonhava acordada e,
adormecia-lhe os sentidos,trocando-os por sonhos proibidos!
Adelina Charneca

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015


Já amanhecia e ainda estavam por aqui as estrelas,
o meu sangue,
arrastava-as,
enquanto os nervos se alteravam dolentemente,
sentia o coração doente,
e as rodas do tempo giravam na minha cabeça,
permanecendo ao meu lado,
apagando-se pouco a pouco.
Talvez possam dar-me um sinal de que acabou a minha luta,
que é chegado o entardecer,
dos dias eternos,
já debaixo da escuridão na ponta final da vida!
Adelina Charneca

sábado, 21 de fevereiro de 2015


Como o vento partirei para longe,
hei-de viver naquela montanha que mora dentro de ti
dormirei em rochas graníticas beijadas pelo luar
as águias serão minhas confidentes no desgosto,
velarei o teu caminho de manhã até ao sol posto,
estarei em ti,
acariciando cada gemido de dor,
serás feliz, 
e eu, testemunha do teu amor,
cantarei doces melodias com as flores do campo
e agradeço todos os dias ver-te assim
na distância,mas tão dentro de mim,
não hei-de deixar de ser
ainda que o possa parecer
estarei invisível ao teu lado
não prometo,
mas assim farei!
Adelina Charneca

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015


Havias de ver,
como a esperança nos morre nas mãos,
como elas ficam vazias estando tão cheias de ti.
Havias de sentir,
o bater do coração,
na noite silenciosa,
às vezes com um soluço.
Havias de ter,
as saudades que eu tenho,
contando as horas para ver nascer o sol.
Havias de vir,
por detrás do horizonte,
onde nada mais chama,
que não seja o escuro da noite.
Havias de viver,
com um nome preso nos lábios,
um sentir quase tão grande,
que não o saberão mil sábios.
Havias de rir,
para esquecer o choro,
para pintares o sol,
e corares de decoro.
Havias de ver!
Adelina Charneca

A fio de ouro bordei estrelas nos teus olhos,
com mel,me eternizei nos teus lábios
pintei de prata o teu sorriso
e a vermelho sangue,
gravei na tua pele o meu nome
amei-te entre lençóis de alpaca
conservei o teu calor em recordações de nós
em bronze,
ergui no coração uma estátua
com pés de barro desfeito em pó,
na chuva bailávamos de noite
ao som da nossa voz apaixonada
ao calor do frio em ti me aquecia
sonhando primavera de amor semeada
flor nascida na solidão inesperada,
dia a dia te espero em qualquer lado
esquecendo a despedida sem adeus
sonho com o luar prometido
na semente de um amor nunca vivido
vasos de flores,palavras baratas
chuva de verão,
amor proibido!
Adelina Charneca

sábado, 7 de fevereiro de 2015


Ficaram meias palavras por dizer
presas por um nó de emoção
ficaram duas vidas por viver
separadas ,unidas pelo coração,
andam mil lágrimas no ar 
fazendo a saudade arder no peito
lábios frios que não mais querem beijar,
cores suaves de um amor perfeito,
na despedida que nunca se fez
havia sombras tristes no olhar
era uma incerteza,um talvez
um ponto final,naquele amor de amar
servindo a paixão em copos de cristal
tinham nas mãos uma vida de encantar
tiram as mascaras no Carnaval
sonham em almofadas de linho por bordar,
promessas feitas com grande fervor
nas horas da loucura que tiveram
amor eterno,amor sem favor
loucos de saudade...
morreram!
Adelina Charneca

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015


Se quiserem saber de onde vim e quem sou,
é por aqui,
nesta imensidão onde o olhar nunca chega ao limite
é debaixo deste céu 
que eu sinto tudo o que é meu
é nesta saudade que me mata cada dia
neste encontrar-te que me enche de alegria
é Alento de carinho força e coragem
é Além Tejo onde o sol tem mais calor
e a lua cheia tem mais força e mais côr
és terra minha ,
é onde tudo deixo e tudo trago
és meu Alento minha terra meu agrado,
Do lado de lá do Rio que me encanta
fica a terra cuja beleza me espanta
do lado de cá fico eu na solidão
nos amanheceres da tua imensidão!
Adelina Charneca

domingo, 1 de fevereiro de 2015


__Aborrecem-me os entardeceres,
e o egoísmo das horas que falam da tua ausência...
Adelina Charneca

 __Ergo um castelo feito de água, 
nas esquinas da saudade minha e tua
lágrimas correndo feito mágoa
sonhos, 
realidades, 
de dia no sol à noite na lua, 
levanto a âncora do meu barco no teu cais
abro as velas, 
qual abraço solto ao vento
moro nos teus passos ,
vou sempre onde tu vais
esperando ansiosa por uns breves momentos
momentos de sorrisos, 
alegria e ternura, 
beijos, 
enleio, 
morrer em teus braços
matando pouco a pouco a nossa lonjura.
Adelina Charneca

''Estou chegando''
__Melhor inventar um tempo que não vivi
saber estar num lugar que não vi
tirar ao tempo horas de mim
amar sem limite um  amor que pari,
__melhor viver de um sonho sonhado
amar a vida em cruel realidade
que estar num canto envergonhado
e ter medo de saber toda a verdade
penso-te e quero beber de ti
beber da tua fonte das lágrimas
matar a sede de mil palavras
tocar o céu e julgar-me em voo
cair no chão,e erguer-me de novo
andar aos tombos,não tenho tempo
tropeçar de novo,não é o momento
partir e chegar,inventar o amor
colher um abraço,
amar-te sem cansaço
e no beijo delirar em sonhos de sonhar!
Adelina Charneca

Estás aí,
eu sei quando estás,
o meu coração avisa-me da tua presença,
sei que estás quando ele acelera descompassado,
não tens que me chamar,
eu sinto-te,
se me perguntas como é que tal acontece
não saberei explicar-te,
não saberei dizer-te claramente
apenas sei o que sinto,
e o que me fazes sentir,
sei que estás aí
porque a minha pele se arrepia,
sei,e nem tens que dizer bom dia
mas,
não cales
diz sempre o que queiras
diz o que sentes desta ausência,
o quanto dói o coração
o anoitecer sem o conforto de outra mão
a ausência de um sorriso ao amanhecer
a falta do braço e do abraço
diz-me;
conta-me essa dor
porque eu sei,
eu sei sempre que estás aí
só,
contigo e com os pensamentos
só contigo mesmo,
estou contigo mas não me vês
nunca te falo
nunca te deixo!
''assinado''
Solidão
Adelina Charneca

Chove lá fora sabes?
E o curioso é que tanta água não lava a  saudade,
a maldita saudade que tenho de ti,
a saudade de nunca te ter visto antes
a grande saudade que é desconhecer-te,
maldita,
amarga,
triste,
solitária,
dolorosa,
saudade!
Adelina Charneca

Escrevi um poema
fora de tempo
com linhas tortas
nas horas mortas
fingi não saber ler
quis nem saber escrever
mas a palavra teimosa
entrou no meu sangue a ferver
e a palpitar de amor
a fervilhar de emoção
deixei-a viver em mim
e agora. ..
agora vive aqui,
bem junto ao meu coração
escrito o poema
jurei ante o céu
nunca esquecer
jamais renegar
esse amor só meu
e o meu coração
doído e cansado
escreve poemas
às vezes chorando
estremece de dor
lembrando o passado! 
Adelina Charneca