quinta-feira, 29 de setembro de 2011


A minha amiga telefonia...


Sou uma telefonia ,mas não uma qualquer telefonia:pelo meu nome começado por(S)devo ter nascido
num país do Norte da Europa de nome Alemanha,sou grandona,tenho uma côr de mel e logo acima dos meus estimados botões embeleza-me uma cortina talvez confeccionada com fios de seda,que isto de ser telefonia dá-me muita informação mas na área têxtil confesso alguma ignorância.
Logo à nascença viajei,lembro-me de me terem encaixotado com umas palhinhas brancas e brilhantes para não me magoar,só mais tarde percebi que estava finalmente num lar,como fui lá parar não sei,estava fechada num caixote e como telefonia que sou tal facto ultrapassou-me,a mais pura verdade é que após a minha entrada neste lar é que a minha vida começou de verdade,descobri que tinha vozes dentro de mim estou sempre numa sintonia bastante afinada,conto histórias,sei que quem me escuta vive emoções e alguma delas são deveras inesquecíveis deixo nas pessoas uma mistura de alegria e por vezes algum sabor amargo quando canto algo que fale de dôr de cotovelo ai ai como elas choram lembrando algum sentimento mal resolvido ,ou não!?
Vivi anos gloriosos naquele lar ,até que um dia o passado de alegrias ficou esquecido ,as minhas válvulas começaram a fraquejar e os meus donos ludibriados por alguma telefonia de componentes electrónicos tomaram uma atitude quanto a mim deplorável,puseram-me na rua,sim!!na rua,no passeio para ser recolhida pelo camião que neste país onde era o meu lar passa uma vez por mês a recolher os meus outros familiares rejeitados pelos donos:esquecia-me de dizer que este país onde era o meu lar é muito perto daquele onde supostamente nasci, e chama-se Suiça.
Quis a minha sorte de telefonia rejeitada que estivesse nesse país a viver temporáriamente uma jovem sra.que ao passar junto do passeio onde me abandonaram me olhasse e sentisse por mim um amor repentino daqueles à primeira vista,mas que permanecem para sempre.Num impulso pegou-me ao colo e num esforço que eu sei que ela fez,porque sou muito corpolenta,transportou-me para sua casa que era a uma distância considerável foi uma viagem muito divertida ela estava na companhia de amigas,e riam ao mesmo tempo que diziam algumas graçolas.A vida fê-la mudar de vida;afastámo-nos por algum tempo, mas hoje estamos juntas novamente e mesmo sofrendo de afonismo crónico estou feliz!tenho um lugar de destaque em sua casa que hoje é minha também onde sou tratada como um bibellot,por aqui vivem alguns familiares meus que até cantam as canções do meu tempo e às vezes cantam em uníssono,toda esta casa é música e assim os meus dias mesmo com algumas dores por falta de algumas válvulas que me foram tiradas e não substituídas são dias felizes ,estou na reforma mas ainda não morri,às vezes andam por aqui umas crianças que se divertem a calcar os meus botões e eu fico em silêncio já não consigo reagir e, eles até são tão graciosos que prefiro observá-los,sei que pelo amor que os une à sua avózinha um dia que ela parta talvez me continuem a deixar ficar aqui em casa recordando os dias em que éramos só nós a música e a conversa.
Já percebi que ela(a minha dona)não perde uma boa conversa na telefonia e o que acho mais engraçado é quando ela conversa sózinha ou se ri com gargalhadas com o que ouve aos outros,ai ai ai como me divirto!e o que eu gosto quando a minha dona me acaricia com um paninho côr de laranja muito macio(vê-se que gosta de mim)-que para ela lá por eu ser velha e inútil não sou para jogar fora.
(EU)
08-05-2010
21.00H

(Esta é a história de uma velha telefonia,(velha mas muito bela,)uma amiga que pela idade já só nos ouve em silêncio,mas às vezes o silêncio faz falta.)


Tinha chegado o tempo em que era preciso que alguém não recuasse...e a terra bebeu um sangue duas vezes puro...Sophia M.Breyner



Recolhido nos jornais da época e elaborado por:


Adelina Charneca Trindade
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer…

Começa assim este poema de Vicente Campina um dos mais singelos dedicado a esta mulher uma mulher que poderia ser uma de nós uma mulher que antes de ser mãe era mulher; mulher feita mãe; mãe extremosa que não queria que nada faltasse aos seus filhos para isso trabalhava de sol a sol naquele Alentejo profundo , o Alentejo queimado ,onde as pessoas vergadas sobre o trigo ceifavam o pão dito “o de Portugal”,exigir mais dois escudos de salário custou-lhe a vida; vida tão breve; vida tão sofrida; vida dedicada.
Conta a sua história, ( aquela apartidária )que tinha 28 anos; sim! Pessoalmente acredito que o que movia Catarina era a ânsia de dar alimentos aos seus filhos e nunca uma filiação partidária, que lhe quiseram claramente colar a todo o custo.
Neste dia , em que recordamos o 57ºaniversário( mais de meio século)da sua morte que nos deve servir de exemplo na luta pelo bem estar da nossa família reflictamos, sobre o que mudou na nossa sociedade no que diz respeito às mulheres…quase nada! os jornais trazem-nos quase todos os dias noticias de mulheres que são brutalmente assassinadas muitas vezes junto de seus filhos, outras vezes ainda, os próprios filhos também são vitimas; isto mostra-nos que os Carrajolas não estão extintos, estes ao contrário do Tenente assassino de Catarina, são os Carrajolas que dormem com elas.
Ainda e lembrando aqui todas as mulheres porque hoje é uma grande mulher que homenageio quero também acrescentar o quanto se mantêm as semelhanças daquele Alentejo e o de hoje.
Quase nada mudou !!!
As mulheres agora já não se vergam sobre o trigo : mas, levantam-se às quatro da manhã para viajarem até Espanha onde vão colher morangos, só regressando já tarde …de noite.
Aquele povo , cerra os dentes e trabalha no que há e o que há é quase nada…continua a ser (Alentejo esquecido que ainda um dia hás-de cantar).
Sim ! porque a esperança não morre:

E o poema continua…

Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer

Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou

Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou

Aquela pomba tão branca
Todos a querem para si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti

Aquela andorinha negra
Bate as asas a voar
Ó Alentejo esquecido
Que ainda um dia hás-de cantar…
Na imprensa da época: Anteontem, numa questão entre trabalhadores rurais, ocorrida numa propriedade agrícola próximo de Baleizão, e para a qual foi pedida a intervenção daG.N.R. de Beja, foi atingida a tiro Catarina Efigénia Sabino, de 28 anos, casada com António do Carmo, cantoneiro em Quintos. Conduzida ao hospital de Beja, chegou ali já cadáver. A morte foi provocada pela pistola-metralhadora do sr. Tenente Carrajola, que comandava a força da G.N.R. No momento em que foi atingida, a infeliz mulher tinha ao colo um filhinho, que ficou ferido, em resultado da queda. A Catarina Efigénia tinha mais dois filhos de tenra idade e estava em vésperas de ser novamente mãe. O funeral realizou-se ontem, saindo do hospital de Beja para o cemitério de Quintos. Centenas de pessoas vieram de Baleizão para acompanharem o préstito, verificando-se impressionantes cenas de dor e de desespero. Segundo nos consta, o oficial causador da tragédia foi mandado apresentar em Évora. — Diário do Alentejo, 21 de Maio de 1954Recolhido nos jornais da época e elaborado  por,(EU)19-05-201000.00h


A casa dos avós



A casa dos avós exerce sobre as crianças ,magia, mistério algo que se parece com coisas que não são muito reais,na casa dos meus avós maternos existia um relógio de parede que me encantava,tocava as Avé Marias sempre tão mas tão afinadinho que era delicioso,não o herdei mas quando se me apresentou uma possibilidade não hesitei e comprei um para a minha própria parede,lá está todas as horas com as Avé Marias a recordarem-me a minha avó Balbina.
Agora que tenho dois netos fazia muita questão que assim fosse também em minha casa..que houvesse alguma magia especial que os deixasse de boca aberta,tive muita sorte porque eles adoram estar aqui.lembro-me de uma vez que a minha filha veio buscar a Vitória e já iam a caminho de casa,ela levantou-se da cadeira auto e quase que se despistavam tal era o choro e o desespero por ir embora(acabou por voltar para trás a deixá-la cá)abalou sózinha;mas o mais especial é a Fada,sim cá em casa vive uma Fada.que sempre que os meninos comem tudo deixa numa pequena bandeja estratégicamente colocada sobre um aparador um quadradinho de chocolate para cada um deles...nunca ninguém a viu ,mas que ela sabe quando eles comem ai lá isso sabe e dá-lhes um prémio "merecido",todos sabemos que não podemos tentar vê-la sob o risco de ela nunca mais aparecer(é uma Fada muito ""esperta"").Isto é magia pura...eu quero ver quando um dia lhe disser(ou não)que a Fada sou eu que muito "lampeira" ponho lá o chocolatinho,quando vamos às compras temos sempre no rol(chocolate para a Fada).
(EU)
05-06-2010
17.00H

(Bem...agora a Fada vai ver se os meninos acordam da sesta...)Para uma "duendinha" que acredita em Fadas...tinha que ser um bolo de aniversário com a imagem de uma "winks"as fadas do planeta "alfeu"a preferida é esta a (blumem?)
E o relógio mágico

A tia "lagartixa"


Não é segredo para ninguém que existe de facto um tratado das alcunhas Alentejanas,hoje recordo UMA MULHER,familiar parenta afastada,sei lá, é a tia Lagartixa penso que lhe tenham dado esta alcunha talvez pelo seu ar despachado e porte fisico esguio ,porque a tia até tinha um nome lindo,(o mesmo que a amada de D.Pedro),nome raro nos tempos do antigamente em que as terras do interior Alentejano eram povoadas por Marianas, Domingas ou Marias.
A tia nasceu no ínicio do século vinte,quando as mulheres eram menos que nada,namorou e teve um filho solteira,(mau,mau)isto não começa bem,nascer no inicio do século vinte e ser mãe solteira,nas profundezas do Alentejo,mas foi uma história de amor da qual sei pouco,a familia do jovem que era de posses não queria o namoro(a tia devia ser muito linda)a tia era pobre o que não evitou que se amassem mais do que aqueles tempos o permitiam???(a tia ficou grávida e a familia queria enviar o jovem enamorado para África a fim de tudo ser esquecido mas,ele preferiu a "morte a tal sorte" e, pôs fim à vida com uma corda ao pescoço no celeiro da propriedade,enquanto a tia via crescer no seu ventre o volume da sua vergonha.
Era solteira e com um filho homem para criar,quando apareceu o tio (nem digo aqui a sua alcunha)que a pretendia para esposa ela não hesitou e aceitou-o,coitada da tia "lagartixa"onde ela se foi meter,a partir desse momento passou a dormir com o inimigo,viu-se obrigada a aceitar tudo em nome da "bondade" dele se ter casado com ela mau grado o filho da "vergonha".viveram uma vida demasiado longa juntos,até ao dia em que ele partiu,e a libertação da tia foi uma realidade,conhecê-mo-la então,era uma mulher fabulosa(só podia ser),um coração fascinante,comprou o seu primeiro frigorifico após a morte do carcereiro e,mal acabou o luto(roupa preta até à alma,com carinhosa incluída),teve a felicidade de possuir em sua casa a primeira televisão,dois aparelhos extremamente banais,mas que ele nunca lhe tinha permitido comprar,mau grado todo este passado tão sofrido era comum ouvir a tia lamentar-se,(Ai marido da minha alma tanta falta que me tem feito).Admirável a capacidade de resistência e a disponibilidade para sentir falta de quem a tratava abaixo do que era aceitável...(GRANDE TIA)
(EU)
08-06-2010
23.00H

Recuar até lá...onde as memórias são doces,"ainda".


Não tenho muitas lembranças da casa dos meus avós,pois não vivíamos perto  como filha mais nova ficava por casa,com a irmã mais velha,quem acompanhava sempre a mãe seria o filho mais velho,por ser homem naqueles tempos em que um simples bom dia tinha que ser dito com cuidados não fosse ser interpretado como uma "clara" traição conjugal,(não estou a exagerar),contudo todos os braços faziam falta para manter o sustento de uma familia numerosa  não se podia desperdiçar fosse quem fosse,nesta época do ano reuniam-se grupos de pessoas que se deslocavam  aos locais de sementeira de tomate que sabemos ser no Ribatejo, a minha familia não era excepção,recordo um ano em  que se consumou essa viagem ,vieram todos até Canha do Ribatejo,óbvio que estavam alojados num casão junto ao local que seria da colheita,também os acompanhou o meu irmão mais novo  por ser menino sobreviveria perfeitamente,  além do mais a mãe não queria separar-se do seu menino mais pequenino,lá fiquei em casa dos meus avós maternos,por ali viviam também as tias e uma prima de quem acabei por fazer de(AIA)acompanhá-la nos encontros com o namorado,(sempre a mesma sorte para mim),mas foi bom ainda hoje o meu primo tem uma preferência por esta priminha que enfim nunca via aquele  beijo roubado...
Era interessante,estar aí havia visitas às tias, tive oportunidade de sentir o aroma da comidinha dos ganhões,(uma tia era cozinheira,no Monte Branco) e recordo bem a grande cozinha com as panelas enormes chegadas ao lume,noutra havia sempre marmelada para comer com o pão, como a minha prima(filha dela)é da minha idade e, gostava de marmelada com pão e não o contrário também me calhava a mim,a marmelada às "carradas"cito a prima,ainda havia uma tia que mais tarde viria a ser minha camarada de trabalho,já na minha idade mais ou menos adulta(14 anos)eu ainda sou do tempo em que primeiro trabalhava-se e só depois se crescia!?lá na casa da avó conheci o mais desejado objecto de decoração de colocar na parede,(O Relógio das Avé Marias).por altura das desfolhadas que nesta época também se apanhava o milho ele  era colocado na Eira onde as pessoas se juntavam pela noite à luz do" pitromax" a desfolhar,e a menina também ia"claro"porque ninguém ficava em casa sózinho,a luz que era projectada pela fraca iluminação não alcançava todos os recantos ,algumas pessoas ficavam em meia penumbra,onde eu estava sempre junto da minha prima que era a minha cuidadora,recordo como se fosse hoje...uma sra.colocou-me um pouco de barbas de milho na cabeça sem que me apercebesse  e de repente disse pegando nas ditas(ai coitadinha da menina está a cair-lhe o cabelo todo);coitadinha de mim,pensei que era verdade,corri ao pé da minha avó  eles riam todos pela minha aflição,até que lá me tranquilizaram,percebi nesse dia como era divertido conviver em grupo e haver sempre alguém mais amigo da brincadeira,para agitar as hostes,nesse dia foi a menina,a vítima ahahahha.Era assim que se passavam as coisas,no milénio passado quando eu nasci!?
(Claro que não posso esquecer a participação do homem da concertina,e as danças,típicas  daquela região(Alto Alentejo)que para quem não saiba ,por aí bailavam-se (AS SAIAS)normalmente as que se conheciam melhor eram as cantadas pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo do Cano).
(EU)
10-10-2010
09.00H



HOJE (dia 8 de Novembro)FARIA ANOS O SR.AUGUSTO(O MEU SOGRO.)PARABENS!


No inicio do século vinte,foi quando se formou a família onde nasceu o Sr.Augusto,uma família como tantas dessa época que para comer tinha que cultivar a terra e ter alguns animais para consumo caseiro,umas galinhas um porco(talvez?)tudo o que as pessoas da minha geração temos conhecimento por termos vivido semelhante situação ou tê-la visto em familiares ou outras pessoas nas nossas origens,pois haviam muito menos pessoas  abastadas do que hoje e sobretudo sabiam que para comer havia que trabalhar sem vergonhas acima de tudo trabalho era sinónimo de honestidade;Era o nono filho (o último) do sr.Manuel e da sra.Antónia corria o ano de 1942,deram-lhe o nome de Augusto e foi tratado como "o nosso menino"pelas manas mais velhas,e o "arrebanha fundos por gostar de rapar o fundo ao tacho ,teve o privilégio de provar belas frutas colhidas das arvores que pela cova da Beira são em abundância,já era assim nesse tempo,suportou os gelos do Inverno com pouca roupa e uns sapatos climatizados que tanto davam pro inverno como para o verão...Por ser o mais novo e mesmo tendo nascido nos anos conturbados de guerrra  no mundo inteiro ,já teve uns privilégios que os manos não puderam ter,aprendeu ainda menino a arte que viria a exercer toda  a sua vida deu os primeiros passos pela mão de um  mestre  na magnifica Alpedrinha(a Sintra da Beira)uma vila que deu algumas  pessoas notáveis ao nosso meio artístico e cultural,e que também o viu nascer.
Como tantos e porque os manos  e as manas mais velhas já tinha imigrado para "Lisboa"o Augustito não foi excepção e também lhe seguiu os passos,hoje Venda Nova antes (Porcalhota),foi o destino da Família,e o menino que já era um artista na arte de cortar cabelos a escanhoar barbas,lá arranjou o seu 1º emprego na Capital do país,onde viria a conhecer a sua prometida  ela sim nascida no local onde nascem mais crianças em todo o país(MAC),o destino dos rapazes dessa época já todos sabemos qual era,nasciam já com  a cartilha sabida,nascer fazerem-se homens e se eventualmente não  fosse assim a Guerra colonial tratava do resto fá-los-ia homens a toque de caixa,com o Sr Augusto não foi diferente,nos melhores anos da sua vida,lá vai ele assentar praça na Figueira da Foz no ano de-1963-nessa  época já se sabia que todos iam(Para Angola e em força...jááá).o rio Tejo também o viu partir como a tantos milhares também se lhe cantou(Adeus,uma palavra tão triste  que tanto custa a dizer).deixou a família em prantos,Pais irmão(a)s e sobretudo a esposa já esperando o seu filho,lá foi o Menino Augusto como foram tantos Maneis,Josés,Joaquins e outros...para um exílio de 36 meses...36 meses são 3 anos...mais nove meses na Metrópole como lhe chamava-mos naquela altura ao Portugal Continental,durou 4 anos o martírio de servir a Pátria tempo mais que suficiente para lhe estragarem a mente,até porque ao fim de 4 meses nasceu o seu filho,daí a mais uns poucos meses faleceu o seu pai e tudo isto viveu na angustia da distância,impedido que foi de viajar para assistir a estes acontecimentos tão marcantes na vida de qualquer ser humano,voltou 36 meses mais tarde (com a chapinha inteira) , ele já não estava inteiro por tanto que lhe tinha sido roubado  psicológicamente,conheceu o filho quando este já ia completar três anos,por causa de uma Guerra estúpida e  sem razão de existir,não pode usufruir da felicidade de o ver crescer,voltou quando em Lisboa  a canção já era outra ,cantava-se então o orgulho na Ponte sobre o rio Tejo(O navio vai deixar o  rio,deixa-o ir, deixa-o lá partir p'ra que o Tejo a todo o mundo conte, que Lisboa está da cor da Ponte.)...a sua vida seguia igual à de tanta gente,os traumas faziam-se notar em forma de carência de alcoól...traumas esses que só vieram a ser falados em sociedade quando já tinham  destruído a vida a tanta gente,tantas famílias desestruturadas e falidas por destruição afectiva e moral, aos 40 e poucos  anos teve o  primeiro percalço na saúde,foi  operado ao coração onde lhe foi colocada uma veia nova retirada do seu próprio corpo para passar a ter qualidade de vida,já nessa época o Sr.Augusto era um estimado e amável barbeiro,um amigo do seu amigo onde ele estivesse não faltava nada,ou ao pé de si ninguém tinha necessidades como queiram,e assim foi ele grangeando simpatias e amizades verdadeiras por exemplo de clientes que o seguiam para onde ele fosse trabalhar,ainda... e só com 56 anos chegou  o acontecimento que viria a marcar mais uma vez a sua vida de trabalho pois foi só o que fez na vida foi tentar fazer frente ao stress de guerra(que por vezes o vencia) e o trabalho que ele fazia de bom grado pois notava-se-lhe o grande gosto por cortar cabelos e dar dois dedos de conversa(como é inerente a todos os barbeiros)E o brutal AVC chegou numa altura em que se dizia cansado, ele bateu-lhe à porta e como não chegava um em 48 horas sofreu varias repetições ...o Sr Augusto venceu...deixou-lhe marcas profundas,A minha filha mais nova neta do coração descreveu-o assim---(Ternura e amizade são duas palavras chave para o descrever,sofreu um AVC que lhe roubou a capacidade de falar e alguns movimentos,disseram-lhe que ficaria inválido,com muita força de vontade contrariou todos os cenários negros que lhe diagnosticaram,não é independente mas é autónomo,não fala mas emite sons muito perceptíveis porque lhe saem do coração).viveu  por vários anos com estas limitações;tinha que ser uma "canalha" de uma escada a tirá-lo do nosso convívio,assim à traição sem avisar, numa estúpida manhã de um 9 de Fevereiro,antes de lhe dizer-mos que o admirávamos muito pela sua força e coragem e pelo carinho que nos dedicava,antes que os bisnetos soubessem dizer alto a bom som(é o nosso bisavó Augusto)  a vida só o conseguiria vencer dessa forma,passando-lhe uma rasteira!ERA UM HERÓI,de frente para ele não era fácil,já que resistiu a tanto.Seria o nosso João o último a sofrer a dor que ainda hoje o persegue e o assalta tantas vezes,pois calhou-lhe a difícil tarefa de o reconhecer(como se fosse possível reconhecer alguém que na vida foi mais que um amigo,naquele estado lastimável??)
Fizemos-lhe a despedida merecida,cumpriu-se o que sabíamos...estiveram tantos mas tantos amigos a despedirem-se dele,que só não nos causou espanto porque sabíamos a pessoa que estava de partida.
FARIA HOJE ANOS DE NASCIDO,O SR.AUGUSTO...NUNCA QUERIA FESTEJAR MAS,LÁ NOS JUNTÁVAMOS PARA COMER NEM QUE FOSSE UM FRANGUINHO ASSADO,NA LOJA QUE ERA O SEU LOCAL DE  ELEIÇÃO,ONDE PASSOU OS MELHORES  E OS PIORES ANOS DA SUA VIDA...PARABÉNS T'I AUGUSTO.
(EU)
08-11-2010
00.00h.


Foi assim no seu último aniversário connosco.
A casa que fundou e que resiste à crise,onde tanta vez o ouvimos cantarolar o refrão que lhe dizia tanto...(Lá diz um homem que foi toureiro afamado,mais marradas dá a vida do que um touro tresmalhado:)ele lá sabia de que falava!


Junto à rosa, a cadeira onde gostava de ficar sentado gozando do pedacinho de paraíso que conseguiu obter com o esforço do seu trabalho.A sua quietude era tal que as aves se aproximavam até junto dele.

O meu avô pára pouco.


Que importa o nome que tinha?Que importa quantos anos tinha;Também não importa que tivesse a alcunha de "pára pouco"em virtude de não ficar muito tempo no mesmo patrão,a sua profissão era (pastor)e andava sempre longe de casa,"quase sempre"ia lá quando tinha que ir mudar de roupa ou buscar outra muda lavada e claro,matar saudades da familia que devo dizê-lo era muito numerosa,os meus avós maternos tiveram dez filhos,Sim!_mesmo que a sua profissão o obrigasse a ausentar-se de casa foi assim(8 filhas e 2 filhos).
Recordo-me pouco dele, partiu  quando eu apenas tinha  12 anos  porém lembro a sua fisionomia:era o tipico avôzinho,carequinha,tinha os olhos muito azuis e meigos e uma carinha muito fofinha.
A minha mãe gostava muito de falar dele e costumava contar que;como ia poucas vezes a casa e tinha 8 filhas que ele tanto venerava e cuja companhia gozava pouco na hora das refeições com  a prol toda à sua volta,ficava parado a olhá-las em vez de comer_dizia-lhe a minha avó_Bernardino?!"era o seu nome"_atão tu não comis"?_ao que ele respondia tranquilamente:_Siiiiim!não te apoquentis que  já como,deixa-me lá olhar p'ras nossas raparigas:_isto dito com a doce pronúncia alentejana soa-me que devia ser delicioso até porque ela(a minha mãe)contava-me este episódio para nos comparar a mim e a ele:dizia ela...que eu tinha a mesma atitude contemplativa perante as minhas filhas e que isso lho recordava muito:_Que bom!...Ter semelhanças com uma pessoa tão generosa,tão doce e cujas filhas tanto nos encantam  alegram o olhar e aquecem o coração.
Por ter vivido parte da sua vida longe de casa  sendo a avó que cuidava das filhas já que os filhos .um faleceu muito jovem e o mais velho casou com apenas 18 anos julgou o avô não ter direito de dar trabalhos às filhas na sua velhice,queria que  fosse a avó a receber todas as atenções  só para ela e,quando as suas velhas e cansadas pernas de tanto percorrer montes e vales guardando as ovelhas que estavam à sua responsabilidade já não lhe obedeciam mais,resolveu com 81 anos colocar um ponto final à sua vida ,por coincidência com a mesma idade e no mesmo dia em que partiu o velho ditador(o das botas)27 de Julho de 1970.
Está aqui um ponto que eu não gostaria de ter em comum com o meu avô;recordo ainda perfeitamente o Bibe que usava preto e branco quadriculado em sinal de luto durante seis meses que era o tempo a usar-se pelos avós.
Hoje que tenho o enorme"enormíssimo"amor dos meus netos e pelos meus netos penso como teria sido bom tê-lo tido mais tempo,mas a sua enorme generosidade levou-o a abdicar do melhor que se pode ter,a vida.
(EU)
21-11-2010
21.00h


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Ao meu avô(Pára pouco)

Pastor do monte,tão longe de mim.
__Alberto Caeiro__,in"Poemas Inconjuntivos"

Pastor do monte,tão longe de mim com as tuas ovelhas.
Que felicidade é essa que pareces ter-a tua ou a minha?
A paz que sinto quando te vejo,pertence-me,ou pertence-te?
Não,nem a ti nem a mim,pastor.
Pertence só à felicidade e á paz.
Nem tu a tens,porque não sabes que a tens.
Nem eu a tenho,porque sei que a tenho.
Ela é ela só,e cai sobre nós como o SOL.
Que bate nas costas e te aquece,e tu pensas
Noutra cousa indiferentemente,
E me bate na cara e me ofusca.E eu só penso no SOL.

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Museo do prado


Sou uma priviligiada,hoje estive junto(diria quase a tocar-lhe) de obras de arte que não me sinto habilitada a apreciar devidamente e com um olhar  apaixonado como certamente haverá muitas pessoas que o fariam;eu não o posso fazer por não perceber nada de arte,todavia respeito muito e tenho a certeza  que só génios poderiam ter concebido tais maravilhas,assim ao de leve posso dizer que agora sei quem são "As meninas de Velasquez"vi de José de Ribera"La mujer barbuda"vi o retrato do Imperador Carlos v pintado por Tiziano,vi uma paisagem lindissíma de Toledo pintada por (El Greco),vi "Los borrachos"de Velasquez,vi "La adoracion de los reis magos" e o "Agnus Dei"pintados por Francisco Zurbarín,vi um verdadeiro "Caravaggio"chamado(David vencendo Golias),um  busto da Rainha Isabel II esculpido por Camillo Torreggianni impressionante porque tem um véu cobrindo-lhe o rosto (mas um véu esculpido não de tecido)...e muito mais eu vi hoje que me deixou impressionada e lastimando que haja pessoas amantes de arte e entendidas que não possam nunca chegar a ver o que eu vi.
É estupendo  e enriquecedor ter uma oportunidades destas,uma oportunidade que não tem classificação a verdade é que me sinto hoje mais rica.
Pois!_estive a visitar o Museu do Prado,ainda que apenas duas horas mas valeu por muitas que por vezes perco a olhar para nada.
Por cá costuma dizer-se (Se vienes a Madrid já eres de Madrid)pois sente-se que as pessoas gostam que estejam cá estrangeiros,tratam-nos com uma simpatia ímpar,e mesmo quando não vem um sorriso espontâneamente,sempre se consegue arrancar passados um ou dois segundos...
(EU)
26-11-2010
21.00H

À minha filha


É assim que hoje homenageio a primeira pessoa no mundo a quem tive a certeza de ter alguém para amar para a vida inteira!Faz hoje 31 anos que nasceu e todos os dias a amo mais um bocadinho...minha querida filha que me fez mãe no dia em que se festeja a própria condição de mãe...8--12--79.

Luz do sol/campo em flor/tu foste ao nascer,a mais profunda,a mais eterna /canção de amor ao amanhecer/O que senti então por ti/Foi tão belo no momento/Minha roseira aberta inteira/Tú és bem maior do que o pensamento/
Minha filha querida/minha esperança minha vida/vem comigo e dá-me a mão/vem cantar também a nossa canção/Filha minha filha amada/vem correr na nossa estrada/vem comigo e dá-me a mão vem cantar também a nossa canção.
Um dia amor,tu vais dar flor,seguir o teu caminho/e eu vou guardar,vou recordar esse teu sorrir,esse teu carinho/As tuas mãos nas minhas mãos,os teus primeiros passos/E aquele tempo em que a sorrir/ eu te adormecia nestes velhos braços.
Minha filha querida/minha esperança minha vida/vem comigo e dá-me a mão/vem cantar também a  nossa canção.
Filha minha filha amada/vem correr na longa estrada/vem comigo e dá-me a mão,vem cantar também a nossa canção.


(Este poema foi escrito e composto por  Tozé Brito e Mike Seargent e foi cantado divinamente por Francisco José,precisamente no ano de 1979 foi publicado num single em vinil e, fiz dele o hino dedicado às minhas mais belas flores.)
(EU)
 08-12-2010
00.00h

A minha historia.

Tenho sentido vontade de escrever a história da minha vida,sintetizando,porque uma história de 53anos ja não se escreve com poucas palavras e como diz o poeta(entre a data do meu nascimento e a da minha morte,todos os dias são meus).
Nasci em sete de Maio de 1958 era já a 5ª filha "a penúltima"dos meus pais(eu estive lá mas não me recordo de nada desse dia),dizem que era uma criança muito bonita,(claro,nasci com a LUA em Vénus,quanto mais não fosse tinha a beleza da LUA).
Assim que comecei a ter alguma visibilidade na sociedade e do que está na minha lembrança...referiam-se a mim como(A FILHA DO MEU PAI),cresci sendo umas vezes (A FILHA DO MEU PAI) outras,(A FILHA DA MINHA MÃE) dependendo das circunstâncias,e assim cheguei à idade em que casei((19 anos))e,passei a  ser (A MULHER DO MEU MARIDO)...dois ou três anos mais tarde,passei a ser (A MÃE DA MINHA FILHA)...para daí a três anos passar a ser (A MÃE DAS MINHAS FILHAS)...quando entraram na escola"alternava"numa era (A MÃE DE UMA),noutra (A MÃE DA OUTRA),o trajecto foi difícil,com muitos medos;sempre disfarçados com um sorriso ou um afago...até que chegou uma hora em que o comboio da vida saiu do percurso para que tinha sido programado e houve necessidade de sair no primeiro apeadeiro,para voltar a entrar nos trilhos certos...
___TANTOS ANOS SE PASSARAM___entretanto passei a ser também (A SOGRA DO MEU GENRO)...agora,e já depois de ser propriedade de tanta gente,pensava que finalmente ia tomar conta do meu destino...chegam os meus mais recentes proprietários!...
Passei a ser (A AVÓ DA VITÓRIA),só passaram dois aninhos até que chegasse finalmente o último proprietário (O ZÉ JOÃO)...e assim mudou mais uma vez o meu desígnio de (AVÓ DA VITÓRIA) e passei a ser (A AVÓ DOS MEUS NETOS)...e já com os cabelos todos brancos,cobertos com uma tinta de cor à minha escolha e as minhas rugas,umas de felicidade,outras tantas de angústia mas a todas estimo(representam o meu amadurecimento)eis que tenho vivido finalmente,dias e dias seguidos de saudável irresponsabilidade,brincando,cantando,lendo dezenas e dezenas de vezes o mesmo pequeno livro com histórias simples e de fácil aprendizagem,ou cantando canções de embalar e outras"cocitas mas"de muito bom viver...
Dou comigo a pensar...e vejo que já vai um longo caminho percorrido com muito menos estrada p'ra frente do que para trás,e concluo que todos estes meus (PROPRIETÁRIOS) não teriam razão de ser uns sem os outros...gosto muito de (SER) deles todos!...(SERÁ QUE ELES TAMBÉM GOSTAM)???
Devo também lembrar que tantas  vezes fui apelidada de( A AMIGA DE...
E... até aos dias de hoje é esta a história da minha vida...deixo aspas abertas para que a vida me traga o que me falta ainda percorrer de braços abertos,porque tenho o propósito de seguir aceitando o que ela me dá...que não tem sido pouco!!!
Era bom que eu escrevesse também tudo o que ficou entre reticências?...mas essa é a parte que como diz o poeta(todos os dias são meus).
Porque é que me deu para escrever isto???????????(:só sei que nada sei....
(Adelina Maria Garrido Charneca Trindade________
(EU).
07-01-2011
15.00h



A vida de cada um pode ter belas paisagens... Depende do olhar com que se (Vê). ((Foto do RIO TEJO,em Toledo))

Camiñando por la calle yo te ví


08-03-2011
«««DEPOIS DESTA HOMENAGEM JÁ TENHO AS QUE ME CHEGUEM NESTE DIA DA MULHER,ESTA VEIO DO MEU SER»»»Poderão ler esta nota no seu original no blogue(cabeça no ar ou ar na cabeça).

Madrid tem dinheiro e isso está patente na quantidade de mulheres,algumas jovens,que estão claramente ,operadas.
Todos os dias as vejo nas ruas.Reconhecem-se pela cara e pelos lábios exactamente iguais entre si.Algumas ficam ligeiramente mais bonitas porém a maioria ficam feias,sobretudo quando ainda são jovens.Não o digo pelo prazer de maldizer mas porque realmente me parecem todas descaracterizadas e iguais entre si.Como diria o meu amigo Diogo,são uma especie de síndrome de Down.
Penso então no que terá levado estas mulheres à operação. O que esperavam? Ter de novo a aparência dos 20 anos? Algumas estatísticas demonstram que a maioria, após o período inicial de excitação, entra em depressão.
Não seria então mais prático gastarem a mesma quantia num conjunto semanal de massagens para relaxamento cutâneo? Numa viagem de sonho? Numa terapia de casal ou num divórcio seguido da busca por um novo amor?
Deixo-vos imagens de duas portuguesas lindíssimas de pele madura(ainda que com uma diferença de quase 30 anos entre si), talvez as mais bonitas entre as portuguesas vivas.
(Ofélia Queiróz)

E o exemplo de outra duas que eram lindas e se descaracterizaram.

PENSO...


Vou por aí tentando encontrar o que de mim resta,parto e levo-me no pensamento será que algum dia voltarei aos lugares de mim?todos os lugares são"de mim ",de ontem até hoje,espero e na espera tropeço,caio,levanto-me,volto a cair e a levantar-me,até que as forças me traem e acabo quedando-me por aqui,sinto o meu desassossego e como desassossegada me assumo o meu corpo está fixo,mas o meu pensamento vai,vai...será que algum dia ficará lá para sempre?Ora essa,pensamento;que fazes tu?Volta aqui ,então?E ele não me obedece,segue sempre na mesma direcção!Eu disse direcção?Isto pressupõe Norte ou Sul?Como descobrir,se não o comando?E do meu pensamento só sei o que ele me permite saber;Que sentir tão estranho!Será assim com toda a gente?Ou será só em mim e  absolutamente em mim a forma deste pensar?
(EU)
16-03-2011
8.30 horas

Sábado


No Sábado que passou(26)isolei-me do resto do mundo,entrei no sonho e visitei sem visitar a alma de poetas e escritores,senti-lhe o aroma de perto quase podem-do-os tocar e se bem que o tentasse,a sua respiração não a atingi,alguns já só vivem nos livros que escreveram outros embora vivos a distância é real,porém senti em muitos sem querer,o pulsar do coração,porque é esse músculo  quando o poeta(escritor)se debruça sobre a folha de papel é  o seu músculo que expõe,livre sem cortinas que o protejam deixando o pensamento a julgamento.Compreendo que tantos usem subterfúgios e escondam a sua verdadeira identidade,quem sabe se procurando protecção dos olhares e pensamentos perscrutantes de quem os abserva?
Encontrei verdadeiros tesouros em forma de pensamento e escrita,quase"diria"o meu próprio pensamento...muito mais tempo gostaria de ter lá permanecido entre prateleiras plenas de sonhos(vou voltar)a todos os que busquei lá encontrei!Será?Será que encontrei todos os que busquei??Algum me terá faltado?
Um dia...um dia lá o encontrarei e aí trago-o comigo...no sonho.
O meu dia de sonho terminou com a realidade que são os amores terrenos mais verdadeiros que existem,os meus baixinhos foram buscar-me ao sonho e encheram-me de mimos e mais mimos...UM SONHO!!!
(EU)
28-03-2011
1300H

ULTIMAS NOTICIAS


E o burro sou eu(cito)???

Amanhã a Sra.Dona Felismina esposa do sr Joaquim das cabras(aquela sra.que faz os queijinhos lá na terra?!)vai ser convidada de honra da Presidência...terá uma escolta de pelo menos 2 GNR a cavalo,que para ela chegam,e será a convidada de honra por uma noite nos Palácios da Ajuda ou no de Queluz,para a ajudar a(compôr-se)a preceito para estas andanças trouxe a Palmira a modista lá da sua aldeia,tem por isso uma comitiva de duas pessoas(ela e a modista),só com 2 Guardas para a escoltar vejam só quanto se lucraria em convidar p'ra Presidência pessoas produtivas???
(Desculpem lá a minha grosseria com o principe das orelhas de burro e a sua amada Duquesa da Cornualha,que hoje vieram consumir mais uns trocos daquilo que nos falta,mas deu-me para divagar).
(EU)
28-03-2011
2100H

Inquietação



Onde quer que vá vai comigo a inquietação,aquela que me acompanha de dia e noite sempre infalível segreda-me ao ouvido que estará perto o seu fim,que deixará de inquietar-me e,eu creio,porque creio e quero querer;querer de ter vontade não o crer de acreditar!ou será que quero os dois(o querer e o crer?).Ao longe avisto tranquila o que resta de inquietação mas...o que resta é ainda demais,muito mais do que julgo suportar e na vontade que se vá e me deixe segredo-lhe suavemente vai,vai e segue o teu caminho,que é tão distante do meu,ou  será que o que lhe quero dizer é...fica,fica fica comigo o tempo todo faz o teu caminho junto do meu.Ai de mim!que não me alcanço...
(EU)
29-03-2011
23.00h 

Através da minha alma


Através de mim.
Através de mim o que vês???
Vês muito de certeza,pois sou transparente como o cristal,ainda não aprendi a ser opaco,ainda não sei como parecer e não ser,ainda não sei como fazer para me esconder,ainda não sei aceitar tudo que vem parar a mim,ainda não sei como fazer para me limitar ao espaço que me está reservado,ainda não sei como voar,ainda não sei para onde voar e se voar onde aterrar ou simplesmente por onde sobrevoar...ainda não sei,ainda não sei...
O não saber é tão difícil de sentir,e será que estou a sentir algo;ou estarei apenas dormente e insensível?
Para quem busca nas profundezas da alma,pode deparar-se com tantos"não sei".
Eu não sei...não sei.
(Pois!!!
«««EU»»»
07-05-2011
10.00h

As arrumações dos dias de chuva




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Depois de um dia de 30 Graus e uma noite de chuva intensa várias"trovoadas"ocorrendo em simultâneo,depois de o Céu ter"refilado"à vontade,e  por consequência uma noite mal dormida,bastante mal dormida mesmo,eis que amanhece e o dia diz-me ao ouvido/porque  não ficas de pantufas e te recolhes no teu casulo como se tu própria fosses o"bicho da seda",espera-te a melancolia que estes dias normalmente trazem as recordações todas ao de cimo como se a chuva violenta abrisse um buraco de tanto cair no mesmo local ,dirijo-me ao exterior e o odor que a terra me atira às narinas é de tal forma excitante e saboroso que decido  ficar  sentindo e tomando para mim toda esta pós chuva.De repente sinto um arrepio,está fresco.
As gramínias acalmaram a sua libertação do polen,as árvores  precisavam desta lavagem estavam repletas de pó trazido pelo remexer das máquinas agrícolas das terras dos vinhedos,e outras plantações,as Rosas existentes nos caules,ficaram demasiado molhadas para sobreviverem por muito mais dias,não tarda esta exuberância que me oferecem será trocada por uma ou outra esporádicamente nascida até ao mês de Agosto que será por excelência o segundo mês do ano em que elas florescem em grande numero,parece-me que já estou com saudades das minhas rosas?!
Mas,dizia eu que o cheiro da terra me seduz e deixo-me ficar,quero ver se as criaturas da natureza também estão de pantufas e pijama quentinho ibernando no dia chuvoso e fresco;Observo e afinal"vejo" que as andorinhas estão mais felizes que nunca,andam  aos volteios em quantidade razoável como se quisessem transmitir-me que a vida continua e que após as águas da chuva devemos agir como se tivéssemos sido purificados e calçar as pantufas e ibernar está errado,tento seguir esta sugestão das minhas amigas de capa negra mas...estou por demais ferrugenta para me mexer,começo a pensar em termos de escrever uma lista e organizar-me assim como se fosse eu própria a Play de uma Rádio qualquer,dessas que tocam musica de gosto duvidoso e faço-o tentando sair da inércia assumida e dessa forma começa a nascer em mim um sentimento de necessidade absoluta e urgente para ver o que se passa dentro do sotão onde não consigo entrar,onde por vezes me trancam a porta"por dentro"e me deixam lá enclausurada sem nem um pequeno som que seja conseguir expressar...
Abro a porta e o ranger das dobradiças deixa-me irritada,queria entrar sem ser vista para surpreender,mas... infrutifera tentativa,logo o externocleidomastoideu me descobre e vai avisar os outros habitantes do sotão da minha chegada em pézinhos de lã.
Desisto mais uma vez de remexer nas pilhas e pilhas de velharias que insistem em causar este"peso"no soalho de tabuínhas miudas e algo carunchosas,que necessitam urgentemente ser removidas,já sei, sózinha não vou ser"capaz"de fazê-lo e a partir de agora vou mover influências e buscar ajuda,não é vergonha pedir ajuda e se a ajuda externa pode ser útil?...
___Assim que tiver as velharias todas remexidas e devidamente jogadas no lixo,terá que se começar o dificil trabalho de reconstrução...esse dia já está perto,muito perto.Entretanto a minha Play elaborada em três segundos ficou pronta e aí vou,de quarto em quarto de móvel em cadeira e tudo num instante volta ao seu posto,até a inercia foi...
«««17-05-2011»»»(EU)
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Há amores que são para sempre





Há?
Sim!
Amores que são para o infinito eles não partem
não nos deixam ,não nos traiem absolutamente até ao infinito.
Amores que se o que houver é apenas amor eles ficam lá
colados como tatuagens definitivas
São amores decalcados a sangue
São amores que ninguém arranca de nós
O infinito encarrega-se de no-los colocar sempre na nossa frente
Senti-mo-los nas entranhas
Senti-mo-los até às entranhas
Te-mo-los até às entranhas
Se eles nos saiem das entranhas
E nunca nos fazem sentir coisas estranhas
Adoramos os nossos amores infinitos
Daríamos por eles a vida
Teríamos uma vida por eles
Nasceríamos de novo por eles
Amores que chegam ao infinito
Sem eles não nos faríamos gente
Sem esses amores infinitos
Amores para sempre
A certeza que nasce junto com eles
Nunca mais nos abandona
Serão para sempre 
O AMOR!!!